quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Dá-me

Dá-me,
dá-me tudo o que tens amor, paz...
dá-me também os caminhos traçados
discretos no alcatrão fresco.
Dá-me
a luz, o sol, as folhas da cerejeira
no fundo do jardim.
Dá-me
a glória, a benção, as mãos estendidas,
a brisa do mar envolvente de espuma.
Dá-me
calor, palavras soltas, vazias...
Dá-me
as rosas vermelhas, as brancas, as amarelas.
Dá-me
a força, a sensação, o orvalho das manhãs
o cheiro e a doçura do mel em frascos de vidro.
Dá-me
principalmente a vivência,a alma enjeitada a um canto.
O ser, se o puder ser com calma,
sem pressas...
Dá-me
a conhecer-me e a sentir-me.
Apresenta-me a mim, sem pudores nem despeito,
nem rancores acinzentados de passados a descoberto.
Dá-me
finalmente o encontro perdido,
gravado a ferros de angústia,
em tempos idos de solidão,
o encontro fulgurante e hipnotizador
com a vida!

Soltei o Grito


Soltei o grito
do meu silêncio contido...
guardei os poemas
que não me escreveste...
saboreei cada palavra
que não me disseste...
Parei...
parei, enfim,
para escutar o teu silêncio,
na profundeza do meu...
oiço apenas as palavras
que os teus olhos me dizem,
esses olhos de mistério,
escuros, profundos...
e vou desvendando
os teus segredos
um a um...
enquanto me abraças, forte,
contra ti...
enquanto me beijas
com teus lábios quentes...
enquanto me acaricias
com tuas mãos suaves,
sensuais...
enquanto me segredas ao ouvido,
num murmúrio enlouquecido
e rouco,
as palavras que eu escuto
apenas no teu silêncio...

Ats - 2007-09-07